sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Proibido ou indicativo?!

No seio de uma discussão onde o tema será revelado numa próxima abordagem surge o seguinte repto: "Não me digas que só os deficientes é que podem ir à casa de banho dos deficientes?!"
Mais uma pérola a colocar no colar que é a genialidade das conversas entre amigos.
Eu nunca tinha pensado nisto!
Se se virassem para mim numa qualquer festa onde eu estivesse muito aflito e a fila fosse do género feminino em instância própria à masculinidade eu provavelmente não teria o rasgo de génio necessário a tecer este comentário, ou sequer a executá-lo. Muito bom de facto. E dá que pensar. Conheceis alguém que tenha ido a uma casa-de-banho para deficientes e se tenha gabado disso? Parece que a palavra "deficiente" cria um certo estigma e nos inibe de certas acções: "Ajudaste o "deficiente" a atravessar a estrada? Não?! Realmente não tens carácter nenhum."; "Ajudaste o "deficiente" a subir o passeio? Não?! De facto vê-se bem a pessoa que és."
Agora vejamos: "Ajudaste o cigano pequenino a atravessar a estrada? Não? Fizeste bem, devia estar cravejado de doenças."; "Ajudaste o bêbedo a não cambalear no passeio? Não? Fizeste bem, ainda te pegava uma cirrosa infecciosa daquelas que há."
Percebem onde quero chegar?
"Alguma vez fizeste xixi na sanita de um deficiente? Não? É tão bom, tem umas pegas que te ajudam a levantar e é tão mais espaçosa. Parece que estás na sala. Só falta mesmo a TV."
Parece-me tentador. Hei-de usar a casa-de-banho para deficientes. Mesmo que seja só para comprovar o quão asseadas são - fruto de quem as limpa ou de quem as usa, quiçá.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Record do Guiness

Faz hoje 100 anos. Faz hoje 100 anos o maior cineasta português e um dos maiores do mundo. Faz hoje 100 anos que nasceu Manoel de Oliveira.
É engraçado reflectir no que Manoel de Oliveira já trouxe à cultura portuguesa desde que nasci. Já reflecti, reflecti e não encontro nada de mais extraordinário como ser provavelmente o único Manoel que ainda vive, sobrevive e está cá para contar estórias. Dizem que Marias há muitas e que Manéis também, mas ManOéis não. Manoel de Oliveira é o verdadeiro Homem com O grande.
Dono de contemporânea genialidade e de alguma lucidez teórica insiste em não fazer morrer o português intelectual, trabalhador e acima de tudo rezingão. Está sempre tudo mal no país, na cultura, em tudo que fazemos, mas depois esquecemo-nos de dar valor ao outros a não ser quando morrem ou completam O centenário de vida.
Vai cair em esquecimento não tarde nada, basta vir a entrevista de Cristiano Ronaldo quando receber o troféu de melhor jogador da FIFA que tudo que é cultura e deve ser cultivado se irá desvanecer. A cultura dos tolos, desculpem, golos, é bastante mais vibrante que a cultura dos loucos.
Houvessem ainda "Canibais" ou "Colombos" vivos e talvez descobrissemos que afinal o génio não está  dentro de um conjunto de ossos suturados que protegem algo a que alguns inergúmes muito dignamente gostam de chamar encéfalo mas sim dentro de uma película de 8mm.

"Record do Guiness: Cineasta mais velho ainda em actividade."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Seduzir o microfone

Genial!
"Parece que tão a seduzir o microfone com aqueles gestos, que parvoíce."
Esta frase, no decorrer de uma sessão de tardes da Júlia acompanhado pela minha irmã, foi o expoente máximo daquilo a que chamo sensualidade televisiva. As "Just Girls" estavam, no bom sentido da palavra, a masturbar os seus microfones. Fabuloso. É de facto inspirador ver meninas de pouco mais de 20 anos em actos tão simbólicos daquilo que a juventude nos trás, rebeldia e ausência de pudor.
Eu sei que no fundo não passa tudo de um mecanismo instruído por entidades superiores às meninas: "finjam que estão a gostar das músicas, finjam que conseguem transmitir sentimento".
Não tenho nada contra elas, aliás, acho que do molho todo de artistas "made in MCA" são a segunda melhor banda que já saiu de lá. Voto por superioridade nos 4Taste que musicalmente estão num nível muitos furos acima de muitas bandas da actualidade.
Posto isto, não queria deixar de dizer que no concerto de Juanes estas duas meninas estavam ao meu lado a ensaiar as coreografias para este novo álbum; divertiram-se tanto como eu, num pavilhão Atlântico cheio de espaço para se estar e provavelmente sentiram-se confortáveis com o facto do Juanes não as conhecer e estar-se nas tintas para o erotismo que tentavam emanar.
Força meninas, se com gestos não vão lá conseguem-no com o vosso maior instrumento...a voz.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dizem que é o casaco que não se tem...

Pese embora o facto de se ser sem-abrigo não há nenhuma regra instaurada que os obrigue a passar frio, fome ou até mesmo dor. É estranho ver como as pessoas olham com desdém para pessoas que se dizem "dispostas a trabalhar mas que não arranjam emprego porque não têm onde ficar para o dia seguinte"; é estranho perceber como a mente humana se resume à sua maior insignificância quando se enoja com certas atitudes desta gente desesperada por comida, como por exemplo, ir ao caixote do lixo procurar por restos de comida que possam aproveitar para matar aquele bichinho que têm num lugar dito por estômago. Há momento infelizes que se poderiam tornar menos deprimentes se todos nós ajudássemos um pouco. Não me refiro a dar esmolas, porque dar esmolas é patrocinar o "não-trabalho", mas se calhar ajudar dando uma tigela de sopa quente, ou até mesmo oferecer um almoço decente a quem precisa. 
Quando de frio se tratar se calhar cobertores não são a melhor das opções, sujam-se, ficam a cheirar mal e aquecem muito menos que as páginas lavadas duma qualquer edição do jornal "O Crime"ou até mesmo do "Correio da Manhã", páginas onde as manchetes parecem ser fogos postos diariamente para incendiar corações de quem não tem mesmo mais nada para ler.
Se um dia virem um sem-abrigo dêem-lhes uma garrafinha de vinho tinto. Do bom. Ficam felizes por se terem lembrado deles com um presente que lhes cairá tão bem como uma sopa mas bem melhor porque lhes vai aquecer a alma e apazigua a dor de não se ter ninguém com quem partilhar uma conversa.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sexo de Meias... E então?

É fácil criticar o Homem. É mais fácil ainda quando criticar o Homem se resume a dizer: 
"- Que ridículo! Tu não tiras as meias quando tens relações sexuais?!"
Ridículo é dizer-se "relações sexuais" e não se ficar escandalizado. Quer dizer, se calhar não é ridículo não se tirar as meias e dizer-se "relações sexuais" quando se deveria tirar as meias e dizer "fazer amor"; ridículo seria não "fazer amor" e tirar as meias porque se é para ter "relações sexuais" quantos mais acessórios melhor.
Ou então, será que as meias nos homens não são acessórios? Porque será que o facto de se fazer amor de meias, para controlar a temperatura corporal com maior facilidade de forma a evitar um "resfriado" é ridículo? Ridículo é não encontrar ninguém que queira ter "relações sexuais" ou até mesmo "fazer amor" connosco! É sinónimo de que algo se passa, e não tem nada a ver com o facto de estarmos de meias ou não, porque se o trabalho for bem feito ninguém se vai importar com isso. Muito sinceramente, até agora ninguém se importou.
Agora, o que não é nada ridículo é "fazer amor" com uma mulher de meias. Isso sim, é excitante, provocador, erógeno, tentador, realçante de formas, é como um pequeno embrulho dentro do sapatinho do Pai Natal pronto a ser aberto, usado, abusado... Umas ligas pretas ou vermelhas ou azuis ou roxas ou transparentes, enfim, qualquer cor serve desde que o conteúdo seja oferta e não uma venda a prestações com uma taxa que não siga a Euribor e não seja nada aliciante para quem compra - Às vezes há meias que trazem uma oferta a levantar 9 meses depois numa MAC perto de si - publicidade enganadora, são mas é encargos acrescidos.
Mas continuo a achar que não é ridículo. É apenas o que todos fazemos e poucos admitem que sabe bem fazê-lo com os dedos bem quentinhos.