sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Proibido ou indicativo?!

No seio de uma discussão onde o tema será revelado numa próxima abordagem surge o seguinte repto: "Não me digas que só os deficientes é que podem ir à casa de banho dos deficientes?!"
Mais uma pérola a colocar no colar que é a genialidade das conversas entre amigos.
Eu nunca tinha pensado nisto!
Se se virassem para mim numa qualquer festa onde eu estivesse muito aflito e a fila fosse do género feminino em instância própria à masculinidade eu provavelmente não teria o rasgo de génio necessário a tecer este comentário, ou sequer a executá-lo. Muito bom de facto. E dá que pensar. Conheceis alguém que tenha ido a uma casa-de-banho para deficientes e se tenha gabado disso? Parece que a palavra "deficiente" cria um certo estigma e nos inibe de certas acções: "Ajudaste o "deficiente" a atravessar a estrada? Não?! Realmente não tens carácter nenhum."; "Ajudaste o "deficiente" a subir o passeio? Não?! De facto vê-se bem a pessoa que és."
Agora vejamos: "Ajudaste o cigano pequenino a atravessar a estrada? Não? Fizeste bem, devia estar cravejado de doenças."; "Ajudaste o bêbedo a não cambalear no passeio? Não? Fizeste bem, ainda te pegava uma cirrosa infecciosa daquelas que há."
Percebem onde quero chegar?
"Alguma vez fizeste xixi na sanita de um deficiente? Não? É tão bom, tem umas pegas que te ajudam a levantar e é tão mais espaçosa. Parece que estás na sala. Só falta mesmo a TV."
Parece-me tentador. Hei-de usar a casa-de-banho para deficientes. Mesmo que seja só para comprovar o quão asseadas são - fruto de quem as limpa ou de quem as usa, quiçá.

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